Classe Executiva da TAAG no B777-200ER – Luanda para São Paulo

Avaliações Cias Aéreas Classe Executiva

Por Fábio Vilela

Bom dia pessoal! Para quem me acompanhou este final de semana pelo instagram (@fabiovilela) viram que eu embarquei em uma viagem de última hora pra África do Sul. Como a disponibilidade para emitir a passagem para Johannesburgo surgiu de última hora, eu comprei e viajei no mesmo dia, e por isto não tive tempo suficiente para planejar o meu retorno.

Durante o meu trajeto de Frankfurt p/ Johannesburgo aproveitei a internet a bordo do voo da Lufthansa para pesquisar algumas opções para conseguir voltar pro Brasil logo em seguida. Eu queria de qualquer forma estar aqui no domingo cedo pra poder votar nas eleições. Procurando as minhas alternativas consegui achei a primeira: pegar um voo da South African que saía 3 horas depois que eu chegassem em JNB, e que emitindo pelo o Amigo, seria 60.000 + R$1.500 (taxa de combustível). Porém como eu já conheço o avião deles e não estava afim de pagar esta taxa altíssima, comecei a procurar voos pagantes.

Foi aí que apareceu a opção de voar com a TAAG – onde eles estavam cobrando aproximadamente R$3.200,00 para fazer Johannesburgo – Luanda – São Paulo em classe executiva. Como era uma cia aérea que eu nunca voei seria uma boa oportunidade de testar para fazer um review além do que seria minha única opção para estar de volta em Uberlândia ainda no Domingo de manhã.

Muita gente me perguntou se eu embarquei pra África do Sul sem passagem de volta – não. Eu tinha uma passagem no JNB-GRU que o Alê emitiu pra mim pelo LATAM Fidelidade, e como ele é Black poderia cancelar a qualquer momento. Então só por segurança eu levei ela impressa caso me perguntassem algo – mas ninguém me questionou – nem em GRU nem em FRA e nem na imigração em JNB.

Bom, cheguei em Johannesburgo e peguei um Holiday Inn que fica próximo ao aeroporto (eles tem shuttle a cada 1 hora). Paguei U$50,00 para uma diária. Como eu cheguei por volta das 09:30AM conversei na recepção que talvez não iria ficar a noite e se por isto poderiam deixar eu fazer check-in mais cedo – eles prontamente aceitaram.

Às 10:30 eu comecei a saga para tentar comprar esta passagem da TAAG, mas o site deles só vendem com antecedência mínima de 72 horas, o que me impedia de comprar online. Tentei por outros sites de OTA’s e a compra também não estava sendo finalizada, então minha única opção era ir pro aeroporto e comprar direto no guichê.

O voo partia às 17:35, então às 14hs eu já estava lá para comprar a passagem. Confesso que eu estava um pouco apreensivo, afinal nunca comprei uma passagem no aeroporto e embarquei logo em seguida. Fiquei com receio de às vezes o sistema deles não permitirem, etc. Avisei no hotel que eu não iria fazer check-out pois não saberia se iria conseguir embarcar ou não. Então combinei com eles que se eu conseguisse voar iria ligar para eles liberarem o quarto, caso contrário voltaria para passar a noite.

Cheguei no aeroporto, e fui então no Ticket office da TAAG, que apesar de ter a logo deles é administrado por uma empresa terceirizada.

Pedi pra eles cotarem a passagem, e o valor ficou em 11.429,68 ZAR para todo o trecho de executiva, porém como é uma empresa terceirizada que gerencia tudo, eles cobram uma taxa de emissão de 400ZAR. Como eu não tinha outra opção, acabei pagando.

Aproximadamente convertendo, o valor saiu R$3.200 + IOF – não achei barato, mas considerei como um investimento já que é uma review inédito, e dada a minha necessidade de chegar no Brasil no domingo – estava sem opção. O preço para ir de Primeira Classe era o dobro, mas como eu já sabia que era o avião antigo, não achei que valia o dinheiro, agora se fosse o novo eu poderia até ter considerado afinal eles tem “suites” na First.

Eles não tem parceria com nenhum programa de fidelidade, somente o próprio deles, portanto nem me preocupei em pontuar esta passagem.

Terminei de emitir o bilhete, eles imprimiram a passagem e fui pro check-in despachar a mala. A apatia e falta de simpatia da atendente foi lamentável. Quando fui perguntar pra ela como estava o mapa de assentos para eu poder escolher ela me disse “O Sr. pode escolher janela ou corredor.” Aí eu perguntei “Mas não pode me falar quais os assentos que ainda estão vazios?” “Ela me olhou com cara de poucos amigos e disse: Janela ou Corredor?” Eu pedi então corredor e perguntei se ela poderia marcar meu próximo assento, e ela com uma super simpatia (SQN) disse: “Isto o sr. pede em Angola”. Tá bom né, desculpa por eu existir, rs.

Enfim, já relaxado de ter dado tudo certo, fui então para sala vip que eles tem parceria no aeroporto (depois posto review) esperar o voo. Neste momento eu já estava exausto pessoal, afinal saí de casa na quinta, e isto já era sábado de noite e eu ainda não tinha dormido – somente voado e o fato de ter feito tudo de última hora, sem planos e na correria, me deixou um pouco fora de órbita, rs.

Ambos meus voos (Johannesburgo p/ Luanda e Luanda p/ São Paulo) foram feitos no mesmo avião – um B777-200ER, portanto não irei fazer 2 reviews pois não justifica, e vou focar somente no voo mais longo que é o de maior interesse de todos nós.

Vou postar depois sobre a sala vip da TAAG em Luanda em outro post separado, portanto aguardem!

Vôo TAAG DT747 – 06/10/2018
Luanda (LAD) ✈ São Paulo (GRU)
Assento: 9I – Classe Executiva
Partida: 23:30 / Chegada: 04:00+1 / Duração: 8h30
Aeronave: B777-200ER

Ambos os embarques – tanto em JNB quanto em LAD foram pontualmente. Em Luanda não há ponte de embarque então tudo é feito na remota. Na hora de embarcar perguntei se poderia fazer upgrade para First (já que o avião tem 3 classes), a atendente disse que não seria possível mas eu eu não precisava me preocupar pois só tinham 3 passageiros na executiva, então eu teria opções suficientes para escolher onde sentar.

Todos os passageiros embarcaram em um ônibus comum, e nós 3 da executiva fomos conduzidos em uma van especial e fomos os últimos a entrarem no avião. Aliás, vocês já estiveram no aeroporto de Luanda – gente do céu, além de pequeno e uma estrutura super limitada é um CALOR! Não sei se o ar não funciona, mas eu sai de lá molhado de suor – lamentável!

Foto abaixo eu fiz em Johannesburgo – vocês gostam deste livery?

Boeing 777-200ER da TAAG em Johannesburgo

Na entrada do avião fui recebido pela tripulação bem simpática e sorridentes. Fui então pro assento, escolhi um bem mais atrás para fazer as fotos sem incomodar ninguém. Como a cabine estava vazia, falaram que eu poderia sentar onde quiser. Para poder quebrar o gelo com a tripulação eu pedi pra eles fazerem umas fotos minhas deitado na poltrona, fazendo poses e tudo mais – assim (de uma certa forma), eles relaxaram e não se incomodaram de eu continuar fazendo fotos.

A TAAG tem 2 tipos de B777, o -300 e o -200. O -200 que foi o que eu fiz os dois trajetos é o mais antigo da cia, possui um layout na executiva de 2-3-2 com poltronas nada atuais.

Eu misturei as fotos dos dois voos, pois no primeiro ainda tinha luz natural então as imagens ficaram melhor. Já no outro tinha só a iluminação da cabine, mas como estava mais vazio também consegui fazer bons registros.

Notem que para quem senta no meio, está “perdido” – afinal não tem liberdade nenhuma para sair e vir, assim como quem senta na janela.

As poltronas nas fileiras 6A e 6B são as mais privativas, já que são as primeiras da executiva, e por serem desalinhadas das demais, ao lado não tem nenhuma. Então fica a dica!

Esta configuração mais vintage me lembrou os antigos A340 da TAP (leia meu relato aqui). Vocês já voaram nele?

Enquanto terminavam de fazer os trâmites para finalizarem o embarque continuei com as fotos.

Tentei pegar o máximo de detalhes da poltrona assim como espaço da cabine, assim vocês ficam familiarizados com a cia se forem voar um dia.

O espaço do assento de trás par ao da frente não é muito grande principalmente se o colega ao lado estiver reclinado – aí complica tudo!

Detalhe especial para o protetor de cabeça – olha a classe que está escrita embaixo de HighFLY, rs. Por um momento mesmo eu pensei que estava de econômica com uma poltrona dessas, rs.

Comecei então um tour fotográfico pelo assento apresenta grandes sinais de uso e falta de manutenção. O joystick do IFE estava tão surrado que nem as teclas apareciam mais.

No caso você tinha que adivinhar qual era o botão para mudar de canal e o para aumentar o volume. Mas afinal nem importava muito, pois o entretenimento de bordo era tão arcaico que nem fiz questão de usar.

Fui ligar a luz de leitura do assento ao meu lado para poder ter mais iluminação e a tampa do joystick caiu no chão. Conservação tava super em dia!

Fiz questão de registrar para vocês verem o estado que estava esta aeronave.

Entre um assento e outro tem um console que serve para você apoiar bebidas ou pequenos objetos. Neste mesmo lugar é onde a mesinha se encontra.

Embaixo estava a entrada USB, de áudio e Ethernet – não o avião não tem internet e tão pouco wifi.

E um pouquinho mais pra trás estava a tomada universal. A do meu assento funcionou, já a do ao lado não. Notem como a aeronave está limpa e bem mantida. SQN!

O controle de posição de assentos ficava do outro lado e tinha alguns comandos pré-estabelecidos como pouso/decolagem e posição cama (que de de cama está longe!).

O cobertor e o travesseiro eram uma piada – do modelo mais simples possível. Ambos eram super pequenos e não melhorava em nada o conforto na hora de dormir.

Outro ponto: eles não oferecem amenity kit – para um voo de quase 9 horas, tem cabimento? Nem uma escova de dente, meia, nada!

O fone de ouvido também estava na disputa pela falta de qualidade. Além da aparência descartável não tinha qualidade nenhuma de áudio – mas conforme falei, nem precisei usar afinal o IFE era uma lástima no quesito programação. Notem como a mesinha estava limpa.

Foi uma pena que não levei meus binóculos para este voo, pois esta era única forma de assistir a minúscula TV.

A distância entre os assentos que até então eu considerava pequena, se tornava enorme para você conseguir enxergar a imagem. Coloquei minha mão na frente para vocês terem uma idéia do tamanho – quase que preferi assistir a programação no meu Apple Watch.

A programação também era de chorar. No meu voo de JNB para LAD teve apenas 1 filme disponível. Já no voo de LAD para GRU tinham mais opções.

Porém a programação não era on demand, o sistema tinha um “lag” para responder de aproximadamente 5 segundos entre você apertar o botão do controle e ele entender o que você queria.

Vocês ficam apreensivos quando uma rota é exclusivamente sobre o oceano – eu confesso que não, mas tem gente que tem pânico.

Além de filmes tinha algumas rádios com músicas, jogos e alguns documentários de TV – mas tudo muito limitado.

Os assentos também possuem esta divisória para te garantir privacidade.

Porém quando eu fui puxar para tirar foto ela saiu na minha mão, rs. Acontece né? Ainda mais em um avião super “bem cuidado”. Mas pensando pelo outro lado você poderia usar a divisória de leque para espantar o calor, ou como uma segunda mesinha, rs.

Ainda em solo, perguntaram o que eu iria querer de welcome drink – ofereceram suco, água ou Champagne. Optei pelo último – que veio bem geladinho – apesar de eu não saber qual marca/safra era.

Já ema atitude de cruzeiro a comissária veio perguntar o que eu iria comer, então como vocês podem imaginar não há menu/cardápio. As opções me dadas foram “Frango com massa” ou “Peixe com Arroz”. Pedi a primeira. Ao mesmo tempo ela perguntou o que eu queria beber. Eu então perguntei as opções e ela me disse “Soft drinks, vinho, champagne ou água.” Pedi então um vinho branco para poder acompanhar o prato – mas novamente não sabia qual era o rótulo.

Abri então a mesinha para me deparar novamente com um estado de limpeza louvável, rs.

Quando a refeição chegou esta foi minha reação:

Pessoal, eles trouxeram a própria MARMITA que vai no forno do avião. Sim, a tigelinha descartável que eles usam para esquentar a refeição. Eu fiquei MUITO chocado! E posso confessar? Por sermos somente 3 passageiros eu tenho quase certeza que isto era refeição da classe econômica. Não tem cabimento vir desta forma em uma business class – por mais simples que seja. Aliás, alguém que já voou na executiva deles poderia me confirmar através dos comentários!

Os pães foram servidos de forma separadas – mas não estavam aquecidos. Notem que não há salada e nem entrada – somente o prato principal – por isto acho que era de classe econômica.

O frango estava borrachento e totalmente em tempero. Chamei a comissária e pedi sal, e PASMEM – ela disse “Não temos sal a bordo”. Oi?!? Não tem SAL em um avião? Que que isso Brasil?!

Comi então só o macarrão e os pães – que não me satisfizeram – óbvio!

O vinho que eu não sei qual era estava bom, e a água com gás eles servem em garrafinhas de vidro. Aliás, preciso falar que apesar de estarem fazendo o serviço de forma bem rápida (apressados) os comissários eram bem educados. Mas era notório que eles queriam terminar logo – e isto transparecia.

Bom, agora vamos à um outro ponto da poltrona – a posição cama, que não tem nada de cama.

A cadeira não é nada flatbed, e segue o pior estilo tobogã.

Ou seja, você dorme de cinto e acorda de coleira, porque vai escorregando durante a noite.

A parte das costas também não deita por completo, então de qualquer forma você vai dormir inclinado.

O descanso dos pés não suporta o peso do corpo, então é como se ele não servisse para nada, pois quando você apoia suas pernas ele bombeia e cai, portanto, useless. 

Nesta foto que a iluminação tá melhor vocês conseguem ver o problema do descanso dos pés/perna.

 

E conforme falei no início do relato – se a pessoa ao seu lado estiver com a poltrona deitada você terá que fazer uma acrobacia para sair.

Esta é a posição que você conseguirá dormir – super confortável né? SQN!

Para poder amenizar a situação peguei uns 3 travesseiros para tentar ter o tamanho de um “normal”. A manta então nem se fala – parece aquelas flanelas que você encera carro.

Como eu já sabia que não iria conseguir dormir, peguei minha malinha de mão e coloquei na frente do assento o que melhorou um pouco a situação, pois assim poderia apoiar minha perna e os meus pés sem que eles ficassem pra baixo. Deu para resolver em partes, mas mesmo assim a noite foi um terror para dormir – quase não consegui pregar o olho por não achar uma posição adequada.

De repente fui acordado pela comissária dizendo que iriam servir o café da manhã. Sabe com quanto tempo de antecedência do pouso? 2h30 !!! Gente, duas horas e meia antes do pouso servir o café da manhã? PRA QUÊ? Éramos apenas 3 passageiros e em meia hora eles resolviam toda a situação. Fiquei incrédulo que eles fizeram isto – pura falta de bom senso! Mais um indício que eles queriam terminar tudo logo e deixar o avião pronto pra pouso o quanto antes. Lamentável !

O café da manhã também veio de marmita – o que já era de se esperar.

Um omelete totalmente sem graça com tomates, espinafre e champginon. Nem ousei pedir sal, porque já sabem né? Não tem! Os pães novamente vieram frios.

Agora querem ter mais uma surpresa? Fui misturar meu café com leite e ao tirar a colher vi que tinha NATA. Bom, tem gente que gosta, eu particularmente detesto e acho nojento.

Agora para mim o PIOR DE TUDO, o mais grave e o mais absurdo, foi que no assento ao meu lado, o folheto de segurança era de um B737-700! Será que a TAAG é a primeira a conseguir fazer um B737 atravessar um oceano? VERGONHOSO!

Brincadeiras a parte, gente isto é um PERIGO – um passageiro leigo e mal instruído coloca em risco toda a operação em uma situação de emergência.

Aliás, este folheto pode atestar o quanto a cia está comprometida em organização, manutenção e conservação da aeronave!

Pousamos em Guarulhos antes do horário previsto, por volta de 3:30AM da manhã – o desembarque e o recolhimento das malas foram tudo OK – sem problemas algum.

Eu conversei um pouco com uma das passageiras enquanto esperávamos o desembarque para poder tentar entender porque o voo estava tão vazio. Ela me falou que sempre vinha ao Brasil (era médica) e me disse que em “tempos de vacas gordas” das construtoras brasileiras em Angola, os aviões iam lotados de executivos e trabalhadores. Ela me falou que mal tinham lugar vazio no voo, tanto na executiva quanto na primeira classe e que o preço era uma fortuna, afinal era a única ligação direta. Mas que depois dos escândalos de lava jato e tudo mais, a ocupação foi diminuindo e cada vez mais a cia começou a perder market share. Bom, pelo menos tava explicado o voo estar às moscas.

Eu embarquei com a TAAG já sabendo que não seria uma experiência WOW de classe executiva, afinal sei do tipo de avião que a cia tem, mas confesso que mesmo assim a cia conseguiu se superar na decepção, qualidade do serviço e produto entregue ao passageiro premium.

Sei que a empresa tem alguns B777 novos e está com planos de adquirir B787, mas será que o serviço também irá mudar, seria diferente? Gostaria muito de ouvir a opinião de vocês sobre este meu relato, principalmente se alguém usou/usa esta cia com frequência para saber se o que aconteceu comigo é corriqueiro ou foi um fato atípico!

Avaliação

  • Check-in:
  • Embarque:
  • Poltrona:
  • Atendimento:
  • Refeição:
  • Entretenimento de bordo:
  • Amenity Kit:
  • Internet:
  • Pontualidade:
  • Limpeza:
Média
4.1

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