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Carro guinchado nos Estados Unidos – Perrengues de Primeira

Notícias Perrengue de Primeira

Por Equipe | Passageiro de Primeira

Hoje no quadro Perrengues de Primeira vamos compartilhar a história do Filipe, que passou por um sufoco tremendo para recuperar o carro guinchado nos Estados Unidos. Ele nos conta como foi sua saga e fala sobre a alma generosa que o ajudou.


Perrengue de Primeira

Olá, pessoal do PP!

Quem viaja sempre tem um perrengue pra contar, por mais planejado e cuidadoso que você possa ser, as variáveis incontroláveis e a Lei de Murphy estão lá, prontinhas para dar o ar da sua graça.

A viagem era para Fort Lauderdale, aproveitei um bom valor de tarifa aérea em 2016 e fui para a terra do Tio Sam experimentar um cruzeiro da Royal Caribbean de três dias para Bahamas e Key West. Após o cruzeiro e já devidamente instalados na cidade, tínhamos comprado ingressos para um jogo de basquete em Miami e depois do jogo, estava planejado uma ida ao Shake Shack da Lincoln Road em Miami Beach. Era a nossa primeira vez por aquelas bandas. Para quem conhece ou já ouviu falar da região, sabe que é um local extremamente difícil de estacionar, por conta da quantidade de carros x vagas disponíveis. E sua maioria, ao contrário de Orlando, são pagas.

Após rodar por vários minutos a procura de uma vaga, sem sucesso, avistamos um pequeno boulevard com vagas disponíveis. A princípio, eu e minha esposa achamos estranho o fato do local estar com algumas vagas sobrando. Paramos o carro alugado e decidimos olhar as placas que lá estavam. Haviam duas delas, uma dizia que não era permitido trabalhar no estacionamento e a outra dizia que não era permitido ficar e dormir no carro. Ciente de que não tinha nenhuma placa sobre proibição de estacionar no local, decidimos parar ali mesmo. Saímos do carro e indo em direção ao Shake Shack passamos em frente a um prédio garagem, este bem cheio e iluminado. Eu, brasileiro que sou (apesar do sobrenome japonês) decidi que não ia parar num local que era pago se eu tinha uma vaga na faixa.

Comemos no Shake Shack e na volta, para a nossa surpresa, o carro não estava lá. Eu nunca vou esquecer aquele momento. Um misto de sensações e de tentar adivinhar o que tinha acontecido. Detalhe importante: era o penúltimo dia da viagem e estávamos hospedados em Fort Lauderdale, ou seja, sem dinheiro, sem tempo e longe do hotel. Lembro de mim pegando a chave no bolso e apertando os botões do alarme, para tentar encontrar o carro. Minha esposa avistou um mendigo que estava próximo ao local onde tínhamos deixado o carro, perguntou se ele tinha visto algo e ele comentou sobre um caminhão que tinha aparecido e logo desconfiamos de que não se tratava de um roubo (ufa!) e sim, que o carro tinha sido guinchado (caraca).

O próximo passo foi tentar procurar ajuda. Entramos numa padaria, o único estabelecimento aberto no pequeno boulevard da discórdia. Pedimos ajuda a uma atendente e ela limitou-se a dizer que o carro tinha sido guinchado. Dada a insistência da minha esposa, um segundo atendente, este bem mais simpático e solícito, saiu de trás do balcão e nos levou numa placa atrás da padaria e esta sim, dizia que não era permitido estacionar carros não autorizados. Esse mesmo rapaz sacou o seu telefone, ligou para o número, descobriu o lugar e chamou um Uber amigo dele (e depois disso ainda deve ter feito um café). Se não fosse por essa primeira alma bondosa, eu não sei o que teria acontecido.

Já dentro do Uber indo para um local que eu nunca foi esquecer, chamado Dade Boulevard, para onde o carro tinha sido guinchado, um milhão de coisas passavam pelas nossas cabeças. Especialmente a forma como esse tipo de situação é resolvida no Brasil. Era sábado a noite, e se eu não me engano, no Brasil, você só poderia retirar o carro na próxima semana, pagando uma taxa absurda de pátio, multas e etc. Mas como iríamos fazer isso se a nossa volta era no domingo? Será que se eu ligar na locadora e explicar, eles resolvem? Quantos mil dólares serão empenhados nesta brincadeira? Para piorar a situação o motorista do Uber não falava inglês, então as perguntas sobre o processo de retirar o carro não foram respondidas.

Chegando no pátio, um baita movimento, guinchos entrando e saindo, vários carros la dentro. Tentei procurar o meu, mas sem sucesso. Entramos numa fila e a medida que ela avançava, fomos ficando ainda mais tensos. Na nossa vez, eu mostrei o chaveiro da chave do carro, que continham as informações do modelo e placa do carro, ele puxou e começou a calcular o valor. Estacionar o carro num local proibido nos Estados Unidos já é um problema por si só. Dentro de uma propriedade privada, sem ser residente dos EUA, a coisa fica ainda pior. Ele nos cobrou 280 dólares(!) para retirar o carro e tinha que ser em dinheiro, até 6h da manhã. Era perto de 1 hora da madrugada nesse momento e também o penúltimo dia da viagem e tínhamos com a gente somente 180. O resto do nosso dinheiro estava no cofre, lá em Fort Lauderdale. Ao lado da cabine tinha um caixa eletrônico e para o meu azar, as tentativas de saque do dinheiro deram todas erradas, com todos os cartões que eu possuía. O desespero começou a bater ainda mais forte. Estávamos cogitando ir até as lojas da região e oferecer para passar 100 dólares no cartão e eles devolverem em dinheiro. Ou mesmo ir e voltar para Fort Lauderdale de Uber para pegar o dinheiro do cofre, em último caso.

Foi aí que algo muito inesperado aconteceu. Um rapaz se aproximou e começou a conversar com a gente, perguntou o que tinha acontecido com o carro, disse que o dele também estava preso (pelo jeito é mais comum do que eu imaginava). Disse quanto ia ficar a multa dele e perguntou da nossa. E aí falamos que faltavam 100 dólares e de repente, ele perguntou, vocês trabalham com PayPal? Meu olho começou a brilhar, eu sabia o que estava para acontecer (ou pelo menos desconfiava). Nós dissemos que sim e ele, num super ato de generosidade tirou 100 dólares da carteira e nos deu o dinheiro para retirar o carro! Eu não podia acreditar que isso estava acontecendo, que por conta de uma pessoa que a gente nem conhecia, tínhamos conseguido resolver a situação! Chegando no Brasil a primeira coisa que eu fiz foi depositar os 100 dólares na conta dele. E ainda por cima, num dado momento da conversa pelo Whats, ele não queria aceitar o dinheiro de volta, mas insisti e acabei devolvendo.

O que fica de lição é: nunca pare num local que você desconfia que não seja permitido e sempre ajude o próximo, especialmente num lugar longe de casa! rsrsr

Obrigado pelo excelente serviço que vocês prestam!
Filipe Grossi Yoshihara


Comentário

Nossa, Filipe, que apuro que você passou! Com o carro guinchado, longe do hotel e nenhum cartão funcionou para sacar o dinheiro, imaginamos o nervoso!

Como você mesmo disse, é importante não se aventurar a estacionar em locais que você não tem certeza se é permitido, principalmente nos Estados Unidos. Ficamos felizes que existem pessoas boas pelo mundo dispostas a ajudar o próximo.

Alguém já passou por uma situação parecida? Estacionar em local não permitido ou outros perrengues relacionados a aluguel de carro?


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