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Como a marca Avianca Brasil atrapalha uma das aéreas mais antigas do mundo

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Por Equipe | Passageiro de Primeira

A essa altura do campeonato não deve ser surpresa para ninguém que a Avianca Brasil está falida. Com a saúde financeira caducando, no ano passado a empresa passou a deixar de honrar seus compromissos. Daí em diante a situação se emaranhou em uma bola de neve e, aos poucos, a companhia foi parando de emitir bilhetes, demitiu funcionários, pediu recuperação judicial e finalmente teve suas operações suspensas pela ANAC. Toda essa situação afetou não apenas clientes e colaboradores, mas também manchou o nome da segunda companhia aérea mais antiga do mundo: a Avianca Colômbia.

A Avianca Colômbia foi a primeira companhia aérea comercial de passageiros das Américas e a segunda no mundo, depois da KLM. Fundada em 5 de dezembro de 1919 na cidade de Barranquilla, Colômbia, a empresa começou com o nome de “Sociedad Colombo-Alemana de Transporte Aéreo” (SCADTA) e foi o fruto dos esforços de três alemães e cinco colombianos. 

Aeroporto Veranillo Barranquilla -Periodico El Punto

 

A companhia começou entregando cartas e logo recebeu uma concessão do governo colombiano para o fazer o transporte do correio aéreo do país. Na metade da década de 20 a companhia já voava regularmente para os EUA. Daí em diante a empresa foi crescendo e ganhando cada vez mais notoriedade. Em 2012 ela se juntou à Star Alliance. Hoje, a empresa pertence ao grupo Avianca Holdings, da qual o Synergy Group (controlador da Avianca Brasil) é sócio.


A Avianca no Brasil 

A Avianca Brasil, oficialmente chamada de OceanAir Linhas Aéreas, começou suas operações como uma empresa de taxi aéreo. Em 2002, a companhia recebeu autorização do DAC (atual ANAC) para operar linhas em colaboração com a Rio Sul, do antigo grupo VARIG.

Em 2013 o grupo se fundiu com a Avianca Internacional (Avianca Holdings) para se tornar uma só companhia com uma marca única, tornando-se assim também parte da Star Alliance. Embora com a mesma marca da Avianca colombiana, as duas companhias são controladas por duas empresas diferentes e possuem identidades jurídicas distintas. 


Um casamento conturbado 

Com a estratégia de unificar as duas marcas em 2013 as empresas pretendiam fortalecer o nome Avianca no cenário da aviação mundial. Essa jogada, entretanto, acabou virando um pesadelo para a companhia colombiana. 

A Avianca Colômbia – que está comemorando 100 anos de fundação – agora luta para desvencilhar a sua imagem de todo o imbróglio envolvendo o processo de falência da Avianca Brasil. Basta entrar no site da companhia para ver uma comprovação disso. A versão brasileira do domínio estampa, em seu banner principal, os dizeres: “Uma companhia aérea diferente da Avianca Brasil.”

Pudera! Afinal, a empresa continua operando rotas diárias conectando São Paulo e Rio a Bogotá; e São Paulo, Rio e Porto Alegre a Lima.

Com o nome completamente manchado pelo fracasso da Avianca Brasil, é natural que os viajantes brasileiros projetem suas impressões da empresa falida na sua irmã colombiana. Isso pode, inclusive, fazer com que os mais desavisados pensem que as duas empresas são, na verdade, uma só e por isso deixem de reservar voos com a Avianca Colômbia. 

Tentar traduzir para o consumidor final que a Avianca Colômbia e a Avianca Brasil são empresas diferentes agora é uma das prioridades da empresa. Recentemente, o CEO da Avianca Holdings, Renato Covelo, anunciou que a companhia está investindo em uma campanha de marketing para realizar a árdua tarefa de separar a imagem das duas empresas da mente dos viajantes. Além disso, o grupo ainda pretende assinar contratos de codeshare com a GOLAzul ainda nos próximos meses.

Para piorar a situação, a Avianca Argentina, que também é uma empresa à parte, está passando por uns maus bocados. No começo do mês, os funcionários da empresa anunciaram uma greve por conta de seus salários atrasados e sem reajustes.


LifeMiles

E tudo isso também respinga no programa de fidelidade da Avianca Colômbia, o LifeMiles. Recentemente, recebi um email do programa reforçando que “os impactos da Avianca Brasil e Avianca Argentina, e seus respectivos programas de fidelidade, não afetam o LifeMiles de maneira nenhuma”.

De fato para nós, fica difícil não lembrar no finado Programa Amigo e seus enormes tropeços nos últimos meses.


Considerações finais

A situação traumática da Avianca Brasil deixou uma marca que vai ser difícil de tirar da mente dos brasileiros. Agora, cabe a uma das mais antigas e – até então – mais sólidas companhias aéreas do mundo, amargar a mancha que seu nome carrega. 

Vale lembrar também que, recentemente, o grupo Avianca Holdings precisou pegar um empréstimo com a United no valor de US$456 milhões, que foi assegurado com ações da Avianca. Ao que parece, apesar da companhia aérea também estar com dificuldades financeiras, a sua divisão de cargas e o programa LifeMiles continuam rentáveis. Fora que, com o empréstimo, há um grande interesse da United no sucesso financeiro da empresa.

A imagem que você tem da Avianca Colômbia e do LifeMiles foi afetada pelos acontecimentos envolvendo a Avianca Brasil e o Programa Amigo?

 

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