Como elaborar sua estratégia de milhas e pontos

Guias

Por Juliano Moda

Ao ingressar no universo das milhas e pontos, não demora muito para percebermos que aquela estratégia de aumentar o saldo por meio de passagens pagantes pouco nos ajuda. De fato, ao deixar de usar dinheiro vivo e passar a utilizar outros meios de troca para emissões, é comum ficar em dúvidas sobre qual caminho seguir. Então, nesse guia, você encontrará direcionamentos para conseguir traçar sua estratégia de milhas e pontos.

estratégia milhas e pontos

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Definindo suas metas

O início de toda estratégia de milhas e pontos começa igual a toda estratégia de viagens: definindo para onde você quer viajar. Para nos ajudar nessa definição, usaremos um conceito de gestão publicado em 1981 por George T. Doran, o de metas SMART. Basicamente, é uma sigla dizendo quais as principais características que uma meta bem traçada deve ter.

Nessa linha de raciocínio, todo objetivo deve ser:

S – specific (específico)

Quanto mais detalhes tivermos do que queremos alcançar, mais podemos dividir nosso objetivo em tarefas menores e mais gerenciáveis.

M – measurable (mensurável)

Quanto mais pudermos mensurar nosso progresso através de indicadores, podemos ter melhor controle e mais margem para mudanças estratégicas, caso encontremos obstáculos no meio do caminho.

A – achievable (atingível)

Para que algo salte do plano dos desejos para o plano das metas, ele deve ser possível de ser atingido considerando os recursos disponíveis.

R – relevant (relevante)

Toda meta deve estar atrelada a seus desejos, princípios e valores. Você, portanto, deve conseguir responder facilmente a pergunta “por quê estou fazendo isso?”.

T – timed (temporizável)

Metas precisam ter prazos, para concentrarmos nossos esforços e ativarmos nosso senso de urgência.


Metas de viagem

Com o conceito de metas SMART em mente, podemos começar a desenhar nossa estratégia com uma pergunta simples: para onde você quer viajar? Pode ser que sua resposta seja uma única cidade ou um único país. Talvez seja vários países ou até o mundo todo. Quem irá decidir a sua viagem dos sonhos é você!

Tendo em vista à estratégia de acúmulo, podemos deixar a resposta para a nossa pergunta ainda mais específica e atingível, além de dar um prazo temporal a ela, visto que milhas e pontos possuem prazo de validade. Ainda que muitos deles não expirem, é importante sempre ficar de olho no extrato da sua conta nos programa de fidelidade. Isso porque, caso as milhas e pontos tenham vigência de, por exemplo, 24 meses, não adianta começar a acumular para aquela viagem que você quer fazer daqui a dez anos, pois eles virarão pó.

Ainda, é preciso considerar sua flexibilidade para viajar. Você tem disponibilidade para pegar o primeiro voo possível numa quarta-feira qualquer ou, pelo contrário, só consegue voar em feriados e datas comemorativas? Esta pergunta é crucial, pois alguns programas de fidelidade funcionam com tabelas fixas e outros adotam precificações variáveis:

  • Tabela fixa: o mesmo voo não sofre alterações de valor (ou varia com pouca frequência) conforme a demanda. Ou seja, é mais atrativo para quem precisa voar em períodos de alta demanda, como feriados, e quer previsibilidade nos valores;
  • Tabela variável: voos são precificados conforme a lei da oferta e da demanda, podendo variar para mais ou para menos. Neles, é possível encontrar resgates mais baratos do que em tabelas fixas em determinadas épocas, mas é importante ter flexibilidade para aproveitá-los.

Tarefa 1: faça uma lista de destinos para onde você quer viajar nos próximos 24-36 meses, considerando seu tempo disponível de viagens. Tenha em mente que, quanto mais específica for a lista, mais direcionadas serão as respostas no final da sua estratégia. Assim, trabalhamos as letras S, T e começamos a nos adentrar pela letra A.


Atingindo metas através de acúmulos e gastos

Agora, precisamos ter em mente como faremos para acumular nossas milhas e pontos. Os principais recursos para isso são nossos gastos, seja em cartões de crédito, compras bonificadas e assinatura de clubes, além da compra direta de milhas. Passamos assim a explorar mais um pouco da letra A: avaliar o que temos disponível em nossas mãos para chegarmos à nossa meta.

Resumidamente, todos os nossos gastos podem se tornar fonte de pontos e milhas. Além disso, assim como definimos nosso orçamento de viagens em passagens pagantes, é prudente definirmos nosso orçamento para eventuais assinaturas de clubes de programas de fidelidade, pois, com eles, conseguimos maximizar nosso acúmulo.

Tarefa 2: faça uma lista detalhada de seus gastos mensais e anuais. Nela, procure segmentar por tipo de gasto: contas de consumo, supermercado, transporte, mensalidades, obras, compras de produtos, combustível, entre outros. Segmente também a forma de pagamento, sinalizando tudo o que é ou pode ser pago com cartões de crédito. Considere também como um gasto aquela reserva que você costuma fazer para as passagens aéreas.


Descobrindo novos recursos

Feita nossa lista de gastos, partimos para a fase de descobrir que tipo de milhas e pontos podemos gerar com cada um deles. Para saber se uma meta é atingível, precisamos listar quais recursos temos em mãos. Além disso, também precisamos descobrir onde usaremos nosso orçamento que antes era das passagens pagantes, cogitando então a assinatura de algum clube de programa de fidelidade, por exemplo.

Para isso, o PP tem diversos artigos ensinando a acumular milhas para todos os gastos possíveis e imagináveis. Se você é de nossa base de leitores assíduos, provavelmente já leu mais de um desses artigos. Confira abaixo alguns, além de exemplos de promoções passadas em programas de fidelidade.

Textos com exemplos de acúmulo por gastos e clubes de programas de fidelidade

No entanto, a recomendação geral é que você entre também nos posts diários do PP, que mostram possibilidades de compras bonificadas, além de exemplos de resgates e transferências. Assim, você se familiarizará aos poucos com todas as possibilidades de acúmulo.

Tarefa 3: cruze a lista de gastos feita na tarefa 2 com as possibilidades apresentadas acima. Aponte em qual(is) programa(s) é possível acumular milhas e pontos por cada gasto. Se possível, calcule quanto é possível acumular. Dica: as formas mais rápidas de acúmulo costumam ser compras bonificadas de produtos e assinatura dos clubes/compra de pontos.

Tarefa 4: some os gastos com cartão de crédito e converta para dólar, pois é a principal métrica de cálculo das bandeiras de cartão de crédito para pontuação.

Repare que, além de cumprirmos a letra A, adentramos no que é a maior dificuldade da estratégia: a letra M, ou seja, mensurar. Assim como na busca incessante pelo menor preço em passagens pagantes em sua estratégia “antiga”, essas são as etapas que mais demandam tempo.


Definindo onde vale a pena acumular

Mas, afinal, onde vale a pena acumular? Cada programa de fidelidade possui seus sweet spots, ou seja, rotas em que a precificação costuma ser mais benéfica em relação aos outros. No entanto, cada pessoa e perfil achará mais fácil acumular milhas e pontos de formas diferentes. Assim, nossa missão é tentar combinar os programas que nos dão as melhores emissões para os destinos de nossas metas com as formas mais fáceis de acúmulo neles.

Como pudemos concluir no início do guia, quando menor sua flexibilidade de datas para viajar, mais eficaz tende a ser para você um programa que adota tabelas fixas de resgate. Como exemplo, podemos citar AAdvantage (em resgates com parceiros), Iberia Plus, TAP Miles&Go e LATAM Pass (em resgates com parceiros).

Contudo, quanto mais puder abrir mão de datas específicas, mais valor é possível extrair de suas milhas em programas de precificação variável, como Smiles e TudoAzul, além dos próprios AAdvantage e LATAM Pass para resgates com a American Airlines e LATAM, respectivamente.

Textos com exemplos de emissões

Quanto aos destinos com bons valores de emissão, o PP possui postagens com exemplos de resgates em todos esses programas. Confira abaixo uma lista de artigos para se inspirar com o que cada programa pode fazer, mas se lembre de que programas de precificação variável não são garantia de estabilidade, portanto leve os valores de resgate apenas como base:

Tarefa 5: pegue a lista da tarefa 1 e sinalize em quais programas boas emissões costumam ser encontradas para cada local. Gaste um tempo entrando em cada programa de fidelidade e simule a emissão dos voos que você deseja. Por fim, mensure os valores dos resgates (em milhas e, se possível, em dinheiro), fechando assim a letra M das metas SMART.


Fechando sua estratégia de milhas e pontos

Feito isso, é hora de fechar suas metas. Tendo consciência do quanto você pode atingir em termos de acúmulo de milhas e pontos em cada programa de fidelidade, assim como valores realistas de resgates, é hora de definir valores e formas de acúmulo. É aqui que suas metas completam a sigla SMART.

Além disso, repare que alguns programas, sobretudo os internacionais, requerem cartões específicos para acúmulo, como o co-branded com a American Airlines para o AAdvantage. No entanto, todos os programas possuem cartões de crédito que pontuam neles. Por isso, considere obter ao menos um deles para ao menos otimizar seu acúmulo.

Tarefa 6: cruze as listas das tarefas 3 e 5, analisando quais programas serão mais fáceis para você acumular pontos e quais serão mais úteis para suas viagens. Defina quantos pontos você acumulará em cada programa, para cada destino. Defina também a forma de acúmulo, seja por gastos, compra de pontos, transferências ou assinatura de clubes.

Repare que, se sua resposta na tarefa 1 foi “viajar o mundo”, é provável que quase todo programa vá servir, mas isso pode causar indecisões sobre qual resgate aproveitar primeiro. Todavia, quanto mais definida foi sua resposta, provavelmente um ou dois programas se sobressairão aqui.

Tarefa 7: procure um cartão de crédito que pontue em ao menos um programa da sua estratégia. Atente-se então às promoções para solicitar com bônus de milhas e aos periodos de pontuação turbinada. Verifique a pontuação e faça uma previsão de gastos com o montante definido na tarefa 4.


Acumulando e monitorando

Seguindo o ditado inglês if you can’t measure it, you can’t manage it, é preciso monitorar seu acúmulo e verificar se sua estratégia continua fazendo sentido. Operacionalize sua estratégia, mas estabeleça uma forma de controle do progresso.

Tarefa 8: faça uma planilha com todos os seus acúmulos e resgates. Divida-os por programa, colocando todos os gastos que você teve na operação. Dica: em casos de compras bonificadas, compare o valor pago nos produtos com os menores valores praticados pelo mercado e some a diferença. Para pagamentos de boletos via aplicativos, some as taxas percentuais.


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Comentário

Que atire a primeira pedra quem nunca começou a acumular milhas e pontos sem uma estratégia definida. No entanto, assim como no universo das passagens pagantes, um planejamento estratégico prévio ajuda a viajar mais e melhor.

Se você já possui alguma familiaridade com o mundo das milhas, pode ser que alguns racionais apresentados neste guia já sejam usados por você de forma natural. De fato, acabam sendo naturalmente adotados na medida em que se adentra no tema, mas este guia foi pensado também para quem inclusive ainda não possui pontos e quer iniciar, além de poder auxiliar quem já acumula e resgata há um tempo.

E você, como elabora sua estratégia de milhas e pontos? Comente aqui embaixo.

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