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Por que o aeroporto de Londres operava voos comerciais “fantasma” sem nenhum passageiro?

Diversos Notícias

Por Gabriel Marinho

O aeroporto de Heathrow, em Londres, é um dos aeroportos mais movimentados do mundo. Contudo, apesar do grande fluxo de pessoas, a porta de entrada para a capital inglesa conta com apenas duas pistas para pousos e decolagens, o mesmo número de pistas do Aeroporto Internacional de Guarulhos.

A única diferença é que, enquanto o aeroporto paulista recebeu cerca de 42 milhões de passageiros em 2018, Heathrow recebeu 80 milhões. Para efeitos de comparação, essa foi quase a mesma quantidade de passageiros que passaram pelo O’Hare International Airport em Chicago, entretanto, esse aeroporto possui 7 pistas ao todo, e ainda há mais uma em construção. 

Com uma grande demanda por voos e um espaço restrito para pousos e decolagens, fica bem difícil para que as companhias aéreas consigam um slot  que são os direitos dados a uma companhia de pousar e decolar em um certo horário. Aliás, os slots da Avianca em Congonhas foram recentemente a causa de disputa entre companhias aéreas no Brasil para operar na ponte aérea Rio-SP.


Demanda por Slots

Essa alta procura por slots no aeroporto de Londres faz com que, quando disponíveis, os direitos de pouso e decolagem sejam vendidos entre as companhias aéreas interessadas por preços exorbitantes. Para se ter uma noção, em 2016 a Kenya Airlines vendeu um de seus slots com horário de chegada às 6:30h e partida às 10:30h por 75 milhões de dólares para a Oman Air.

Segundo as normas do aeroporto, uma vez que uma companhia possua um slot ela pode usá-lo, vendê-lo ou, caso não utilize, ele é passado para a próxima companhia na fila de espera – sem custo algum. E foi graças a essa regra que surgiram os curiosos voos fantasmas. 


O voo fantasma 

Em 2007, a British Mediterranean (companhia aérea que já cessou suas atividades) operava um voo entre Londres e Tasquente, no Uzbequistão. Porém, devido a distúrbios civis no país de destino, a companhia decidiu cancelar a rota. 

Com isso, a empresa ficou com slot vago no aeroporto de Heathrow que dava direito de decolagem às 14:35h e pouso no dia seguinte às 12:00h. Sendo assim, para não perder a sua vaga, a companhia passou a operar um A320 para a cidade de Cardife, no País de Gales. 

Como o cancelamento da rota para o Uzbequistão ocorreu de última hora, arranjar contratos de catering, bagagem e demais autorizações para operar um novo voo com passageiros seria extremamente caro e demorado. Sendo assim, a companhia operou – 6 vezes por semana e durante vários meses – o voo entre Londres e Cardife completamente vazio, somente com a tripulação a bordo.

E apesar de voos comerciais sem passageiros não fazerem muito sentido econômico e ambiental, essa não foi a primeira vez que isso aconteceu no aeroporto de Heathrow. Em 2004, a Qantas comprou um slot da Flybe por 25 milhões de dólares.

Enquanto a companhia arrumava os contratos para operar um voo para Sydney, a empresa australiana contratou outra companhia aérea britânica para voar entre Londres e Manchester duas vezes ao dia e, assim, não perder o seu slot. Entretanto, como a Qantas já tinha um contrato de codeshare para essa rota com a British Airways, esse “novo voo” era operado geralmente com apenas 2 ou 3 passageiros a bordo.


E você, já conhecia essa história dos voos fantasmas? O que achou dessa estratégia das companhias aéreas?

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