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Comparando emissões! São Paulo para Nova York na Classe Executiva da Delta Air Lines

Notícias

Por Raimundo Junior

Dando sequência à nossa nova série em que comparamos os custos de uma emissão para a mesma rota e companhia aérea, considerando o resgate em diversos programas de fidelidade, vamos trazer um voo em Classe Executiva com a Delta Air Lines entre São Paulo e Nova York.

Muitas vezes, além das milhas em si, há outros fatores que incidem sobre uma emissão, como taxas cobradas pelos próprios programas e companhias aéreas, que têm interferência direta no custo final do resgate.

Pensando nisso, criamos essa série, com o objetivo de ajudar você a tomar a melhor decisão na hora de escolher o programa de fidelidade ideal para a sua emissão.


São Paulo para Nova York na Executiva da Delta Airlines

Dando sequência à nossa série, escolhemos outro resgate para a América do Norte, desta vez trocando o país para os Estados Unidos e a companhia aérea para a Delta Air Lines.

Optamos pelo voo de São Paulo para Nova York, utilizando três diferentes programas de fidelidade a que temos acesso no Brasil, especialmente o LATAM Pass, já que esse, a contar da implantação das mudanças amargas que mostramos essa semana. será um dos poucos bons resgates internacionais da companhia, a ser feito através do call center.

Programas de fidelidade

  • LATAM Pass (LATAM): a saída da LATAM Airlines da aliança oneworld em 2020, abriu caminho para a companhia trocar a parceria aérea que tinha com a American Airlines pela Delta, o que foi um bom upgrade, em termos de hard e soft-product, para os clientes do LATAM Pass, que consigam o resgate com o parceiro. E a maior vantagem, sobretudo agora, em que os voos próprios são precificados em milhas com base no valor pagante, é que o resgate award com parceiros continua vinculado à tabela fixa, que atualmente cobra 90 mil pontos LATAM Pass, para voar do Brasil para os Estados Unidos, em Classe Executiva;
  • Flying Blue (Air France/KLM): o programa de fidelidade da Air France/KLM é o mais novo parceiro do Membership Rewards do American Express do Santander, que entra como uma parceria mais favorável à então existente com a Livelo, em que a conversão é 2:1. No MR do Amex-Santander, a conversão é simples, com taxa 1:1, o que é excelente, e abre espaço para os bons resgates que o programa oferece, sobretudo nas promoções mensais que realiza;
  • Delta SkyMiles (Delta Airlines): o programa de fidelidade da Delta foi o primeiro parceiro aéreo anunciado pelo Membership Rewards do American Express do Santander, trazendo de volta a possibilidade de remessa para o programa americano, coisa que não tínhamos desde que o MR do Amex-Bradesco trocou as parceiras então vigentes do MP, pela Livelo. Tal como no Flying Blue, a conversão aqui também é de 1:1. Pena que as boas oportunidades, embora existam, são mais escassas.

Custos de geração das milhas e pontos

O custo relativo das “moedas” envolvidas em cada um desses resgates, é de extrema relevância para avaliar os custos finais de cada emissão.

Para apurar o CPM (custo por cada mil milhas) em cada um dos programas mostrados na matéria, vamos levar em consideração os melhores valores de aquisição desses pontos, conforme as promoções dos últimos meses, assim como as perspectivas de curto prazo.

Desde que a MR dos AMEX-Bradesco, foi transferido para a Livelo, ficamos sem opções para gerar milhas SkyMiles e com limitações para gerar milhas Flying Blue, já que o outro parceiro nacional, Livelo, tem taxa de 2:1, o que gera custos elevados para os regates.

Por isso a inclusão do programa no novo Membership Rewards dos AMEX-Santander, com a taxa 1:1, é motivo para comemorar. Apesar disso, ainda não temos opções baratas de gerar pontos no MR do Amex-Santander, já que o cartão, infelizmente, não entrou na atual campanha Bateu, Ganhou!.

Como ainda não é possível comprar pontos MR, como acontence hoje com os pontos Esfera, balizaremos o custo no uso de cartão de crédito para pagamentos em carteiras digitais, com taxas.

Vamos usar como referência a pontuação do The Platinum Card, de 2,2 pontos por dólar e a taxa média de 2,80% para pagamento de boletos.

Nesse patamar, encontramos um CPM na casa de R$66,57, considerado o dólar oficial do fechamento de 21 de março + 6% de spread.

Assim, vamos considerar o CPM de R$66,57, tanto para o Flying Blue, quanto Delta SkyMiles.

Para o LATAM Pass, vamos considerar o valor oferecido em campanhas de compra de pontos com desconto, com percentual de até 70%, que tem tido com alguma regularidade nos últimos anos, o que daria um CPM de R$21.


Comparação geral

Como esse resgate não apresenta variação em função do sentido da rota, já que não é cobrada a detestável taxa YQ em nenhum desses resgates, vamos nos limitar a mostrar o resgate é one-way, apenas no sentido de ida.

Resgate one-way (só ida/volta) São Paulo x Nova York em Classe Executiva

LATAM PASS
Pontos: 90.000
Taxas: R$241,92

Vale observar que ainda conseguimos realizar pesquisas pela versão antiga do site LATAM Pass, mas com a desativação do mesmo, não teremos mais essa referência on-line, já que, de agora em diante, o site do programa só mostrará as opções de resgate de bilhetes comerciais – conversão do valor em dinheiro, em pontos. Isso não significa que não será possível resgatar pelos 90 mil pontos da tabela fixa, mas isso será exclusivamente feito pela central telefônica.

Flying Blue
Milhas: 72.000
Taxas: US$49,07

Optamos por manter o valor das taxas em dólar, dado que flutua conforme a variação cambial, facilitando a análise, independemente do câmbio da data da leitura desse post.

Delta SkyMiles
Milhas: 125.000
Taxas: US$35,00

Assim como no exemplo do Flying Blue, optamos por deixar a imagem com as taxas em dólar, pela facilidade de análise, independentemente da data em que o post for lido.

Como você pode ver do print, utilizamos como referência o valor mais baixo mostrado no SkyMiles (125 mil milhas), voando Delta entre São Paulo e Nova York, mas esse não é exatamente o voo direto mostrado nos dois outros programas. Para aquele voo direto, a tarifa sobe para 145 mil milhas, como se vê da imagem acima.


Comparação efetiva

Como pontuamos no tópico anterior, esse resgate não varia em função do sentido da rota, pois não há cobrança de YQ, independentemente de partir ou não do Brasil, por isso, vamos fazer uma única tabela comparativa, de um trecho avulso (one-way) Para calcular uma viagem de ida e volta (round-trip), basta duplicar os valores:

Resgate one-way (só ida) São Paulo x Nova York em Classe Executiva

Veja que o menor custo não foi exatamente do resgate com o menor número absoluto de milhas/pontos. Isso reforça o que sempre falamos, sobre compreender o valor relativos das milhas/pontos, deixando-os sempre para resgates onde não se possa utilizar ativos menos valiosos, de geração menos difícil e custosa.

Com isso, embora o LATAM Pass cobre 90 mil pontos, na tabela fixa – esperamos que o fato de não mostrar mais no site, não sirve de desculpa para os atendentem não emitirem o bilhete – contra apenas 72 mil do Flying Blue, o LATAM Pass apresenta um custo efetivo muito menor.

A situação se inverteria, acaso os cartões Amex tivessem sido incluídos na campanha Bateu, Ganhou!, do Santander. Tivesse o Amex-TPC do Santander pontuando 4×1, o CPM cairia para atrativos R$36,61. Nesse caso, o resgate custaria módicos R$2.635,92.


Fatores a considerar

Custos referenciais variáveis: tenha em mente que os custos de milhas e pontos que adotamos nos nossos cálculos, podem variar de usuário para usuário, inclusive em decorrência da utilização eventual de alguns cartões de crédito. Por exemplo, quem tem cartão Unlimited Visa do Santander, cadastrado na promoção de pontos em dobro e está participando do Bateu, Ganhou!, pode gerar até 7,7 pontos por dólar durante a campanha, ou seja, até 1,47 pontos por real. Mesmo pagando 2,80% de taxa para quitar boletos em aplicativos de pagamento, vai gerar pontos Esfera com CPM de R$19. Numa promoção bonificação de 100% para o LATAM Pass, as milhas ou pontos chegam com CPM de R$9,50;

Falta de uniformidade sobre a definição do custo de milhas e pontos: para a matéria, levamos em conta os custos de compra de pontos LATAM Pass que temos visto em algumas promoções relativamente frequentes. Para os programas internacionais, parceiros do Amex-Santander, calculamos o custo das taxas em pagamentos feitos em carteiras digitais, já que não há, até aqui, como quantificar o custo de compra desses pontos, já que o Santander ainda não permite a compra direta de pontos do Membership Rewards, como faz com os pontos Esfera. Não esqueça, contudo, que há outras formas de considerar esses custos. Muitos consideram “zero” o custo dos pontos gerados no cartão em gastos orgânicos, o que reduz muito o valor médio, a depender do volume de gastos. Particularmente, prefiro ter como referência o custo de geração por meios pagos, para o caso de precisar de grande quantidade, que escape da geração através de gastos do dia a dia. Não podemos dizer, entretanto, que uma forma seja mais correta que a outra;

Fique atento ao custo relativo das milhas e a incidência de taxas: como mostram as tabelas comparativas que juntamos à matéria, nem sempre o menor número de milhas, representa o menor custo. Leve em conta, sempre, o valor relativo dessas milhas, além de outros custos incidentes, como  taxas de emissão e/ou de combustível;

Outros fatores: além desses fatores, também é prudente levar em consideração se há milhas próximas ao vencimento em algum dos programas em que o resgate é permitido. Adicionalmente, não deixe de avaliar os mecanismos de que você dispõe para repor essas milhas, num futuro próximo ou médio. Opte por não utilizar aquelas milhas/pontos que já sabe que vai utilizar para outro resgate, no qual as outras milhas/pontos não podem ser usadas, exceto se tiver saldo para ambos os resgates.


Comentário

Ter uma visão geral do custo relativo das milhas e pontos, é fundamental para avaliar os melhores resgates em cada um dos programas de usuário frequente. Quando o resgate é possível em mais de um desses programas, essa comparação se mostra ainda mais relevante, para que tenhamos sempre os maiores benefícios no uso eficiente desse ativo de valor, que é nossas milhas e pontos.

E você, costuma comparar os custos do resgate em cada programa que utiliza? Quais os principais fatores que costuma priorizar?


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