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O banheiro de aeronave e as pessoas com necessidades especiais

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Por Felipe Alimari

Pessoal, tudo tranquilo? Espero que sim! Quem ainda não me conhece, sou o Luis Felipe, colunista do site!

Hoje irei tratar de um assunto de natureza fisiológica e que todo ser humano necessita: ir ao banheiro! Agora imagine como é para nós cadeirantes quando dá aquela vontade e estamos voando? Pois garanto que não é nada confortável, eu diria até que se trata de uma missão impossível hehe.

Vou falar da minha experiência, no caso tenho AME (Amiotrofia Muscular Espinhal) e necessito de auxílio para ir ao banheiro.

Eu já fiz diversas viagens e a mais demorada delas foi São Paulo x Doha, com duração de 14 h 35 min, fora o processo de embarque, decolagem e desembarque. Você acredita que não utilizei o banheiro e que meu último “xixi” foi em solo antes do embarque? Pode acreditar! 😊


Como é a função para ir ao banheiro

Todas aeronaves comerciais possuem uma “mini cadeira de rodas” totalmente desconfortável e que possui à largura do corredor. É nela que precisamos nos locomover até o banheiro, sendo que ela não entra dentro do mesmo e no meu caso, ainda preciso de auxílio para me transferir até o vaso sanitário e vice-versa, ou seja, é muito complicado e constrangedor.

Truques e artimanhas:

Cada cadeirante deve ter a sua estratégia para não precisar usar o banheiro da aeronave, vou falar o que eu costumo fazer:

  1. Um dia antes já faço uma dieta mais leve e infelizmente acabo me privando de comer aquelas delicias e guloseimas das salas VIP que o PP costuma mostrar nos reviews… vai que dê um piriri;
  2. Antes de embarcar dou aquela passadinha básica no banheiro da sala de embarque;
  3. Nada ou quase nada de líquidos durante os voos, principalmente os internacionais;
  4. Nada de exagerar nas comilanças das Executivas e Primeiras Classes como o Fábio e Alê HAHAHAHA.

Banheiros acessíveis para aeronaves de corredor único

Felizmente hoje venho trazer uma novidade! 😊

Uma reportagem do Business Traveller conta que os associados da ST Engineering e da Acumen Design apresentaram um conceito para um banheiro de aeronave expansível, projetado para pessoas com mobilidade reduzida. Uhuuuuu, agora vou poder me acabar nas salas vips e nos voos de Executiva e Primeira Classe.

Durante um voo, a tripulação seria capaz de “destrancar” uma parede, puxar uma extensão para a galley e com isso criar 40% mais espaço. Ele foi projetado para substituir os lavatórios existentes em aeronaves de corredor único, que são extremamente difíceis de usar para qualquer pessoa que precise de uma cadeira de rodas ou assistência de um cuidador.

O design padrão do lavatório (abaixo à esquerda) caberia no espaço atual de um A321 ou B737, mas a extensão (abaixo à direita) criaria um espaço grande o suficiente para um passageiro, uma cadeira de rodas e outra pessoa.

Há uma entrada no canto larga que permite a passagem de uma cadeira de rodas de largura padrão, com paredes e uma porta, que podem ser fechadas completamente atrás do passageiro e do cuidador.

A necessidade de banheiros acessíveis está se tornando mais urgente à medida que as aeronaves de corredor único fazem voos mais longos. O próximo A321XLR da Airbus poderá voar por mais de nove horas, por exemplo.

A equipe da Acumen, que projeta assentos de classe executiva, incluindo The Room da ANA , Polaris da United e Business Studio da Etihad, também queria focar no interior do banheiro.

“Queríamos examinar todas as maneiras pelas quais poderíamos melhorar a experiência de uma pessoa com necessidades especiais, o que, para ser honesto, no momento, é terrível”, disse Daniel Clucas, designer sênior da Acumen.

“Mesmo em aeronaves grandes, os banheiros se limitam a ser ‘apenas maiores’. Eles não oferecem acesso fácil, não possuem apoios. As portas geralmente não são largas o suficiente.

“Nas aeronaves grandes, onde há um banheiro acessível, se resume apenas a um assento extra. Você abre uma cortina, o passageiro transfere-se da cadeira de rodas para o assento e depois para o vaso sanitário. Mas é tão estreito que você não pode acomodar um passageiro grande, é realmente indigno, a cadeira de rodas precisa ser deixada do lado de fora.”

A equipe apresentou um protótipo no Singapore Airshow este mês e o exibirá na Hamburg Aircraft Interiors Expo no final de março.

Eles testaram o protótipo em tamanho real com um grupo de PNEs, o que levou a ajustes no design, como adicionar alças de apoio em novos lugares e mover a posição da pia.

A equipe agora está trabalhando com uma empresa para certificar o design para uso, um processo que pode levar mais um ano. Numerosos testes serão necessários para mostrar que ele não irá travar e para que procedimentos sejam implementados caso isso ocorra.

Os extensores se movem de forma semelhante as portas existentes em determinados assentos de classe executivas, de modo que os engenheiros estão se acostumando a trabalhar nessa área no que diz respeito ao processo de certificação.

Poucos países têm legislação exigindo que companhias aéreas ou fabricantes garantam uma boa acessibilidade a bordo de aeronaves.

Uma exceção são os EUA, que desde 2009 exigem que todas as companhias aéreas que operam dentro e fora do país ajustem suas novas aeronaves para ter pelo menos 50% de apoios de braços móveis nos assentos do corredor, permitindo “acesso razoável e digno” para entrar e sair de um assento.

Atualmente, o Departamento de Transportes dos EUA está buscando informações sobre um plano para exigir que as companhias aéreas incluam um banheiro acessível em todas as aeronaves de corredor único que entrem em suas frotas, como acontece nas aeronaves maiores.

“Será interessante ver se alguma companhia aérea agirá proativamente antes que a legislação comece”, disse Crump.

“Ou, do ponto de vista da marca, se eles querem ser vistos fazendo a coisa certa e sendo mais inclusivos para os viajantes.”

Também será importante conquistar as empresas de leasing, diz a equipe, já que essas empresas querem aeronaves que possam ser reaproveitadas para diferentes companhias aéreas. Se for demonstrado que o novo banheiro será algo obrigatório no futuro, faria sentido escolhê-lo.

Crescem os apelos para tornar a aviação mais acessível e inclusiva, especialmente à medida que mais pessoas com mobilidade reduzida viajam, como idosos, pessoas com deficiências temporárias ou invisíveis e pessoas com condições como demência, autismo ou ansiedade.

De acordo com a Autoridade de Aviação Civil do Reino Unido (CAA), o número de passageiros aumentou 25% desde 2014, enquanto o número de passageiros que solicita assistência nos aeroportos aumentou 49%.

O Aeroporto de Heathrow prometeu gastar £ 30 milhões em iniciativas de acessibilidade este ano, enquanto o CEO da British Airways, Alex Cruz, recentemente assinou um compromisso de melhorar à acessibilidade.


O que você achou da novidade? Não deixe de comentar!

Luis Felipe
Instagram: @rodasvoadoras

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