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O que acontece com meus Pontos LATAM Pass durante a recuperação judicial?

Notícias

Por Alexandre Zylberstajn

Em um momento de incerteza como esse é normal que toda e qualquer pessoa, minimamente atenta à situação, e com algum saldo em programas de fidelidade, esteja repensando sobre sua estratégia futura de acúmulo e resgate dos seus pontos. Afinal de contas, nós brasileiros já estamos calejados com o processo de falência traumático da Avianca Brasil e seu finado programa de fidelidade Amigo. O pedido de Recuperação Judicial da LATAM de outras filiais , agora no Brasil, ressuscita fantasmas desse passado sombrio e traz muitas dúvidas sobre o futuro. Afinal de contas, o que pode acontecer com os meus pontos LATAM Pass?


O que diz a LATAM?

A LATAM deixou claro em seu site o que acontece com o LATAM Pass e os pontos de fidelidade nesse momento:

  • Quer você esteja voando agora ou retornando aos céus mais tarde, queremos garantir que sua categoria no programa LATAM Pass, seus pontos e demais benefícios por voar com a LATAM ou uma de nossas companhias aéreas parceiras serão mantidos. Além disso, todas as passagens atuais e futuras e vouchers de viagem continuarão sendo honrados.
  • Também esperamos manter nossas parcerias com agências existentes e continuar vendendo passagens por meio dos nossos serviços e plataformas atuais, o que significa que você poderá interagir com nossos operadores de atendimento ao cliente da mesma forma como fazia antes.
  • Também planejamos honrar nossos programas de fidelidade corporativos.
  • Por fim, todas as políticas adicionais anunciadas em resposta à pandemia de COVID-19 – incluindo a eliminação de taxas de alteração e cancelamento e oferta de vouchers de viagem para voos cancelados ou reagendados – permanecerão em vigor durante todo o processo.

Em resumo, para a empresa, nada muda. Para empresa.


O que mudou desde a divulgação da Recuperação Judicial do Chile, Peru, Colômbia, Equador e nos Estados Unidos

No dia 26 de maio a  LATAM Airlines e suas afiliadas no Chile, Peru, Colômbia, Equador e nos Estados Unidos entraram com um pedido de reorganização e reestruturação voluntária de sua dívida com base no processo de reorganização financeira do Capítulo 11 dos EUA.

A LATAM Brasil informou que a partir de hoje (09/julho), passa a integrar o processo de reorganização e reestruturação voluntária sob a proteção do Capítulo 11 da lei dos Estados Unidos, a fim de reestruturar seus passivos financeiros e administrar de maneira eficiente sua frota local.

Entre o pedido inicial e hoje, algumas coisas mudaram no programa, como exemplo podemos citar:

  • Algumas parcerias foram interrompidas;
  • Alguns resgates de parceiros foram reajustados (pra cima);
  • Intensificaram as promoções de venda de pontos e bônus nas transferências dos bancos;
  • Aumentaram o bônus em no cartão cobranded;
  • Seguiram em frente com a cobrança de uma nova taxa em resgates de passagens por pontos;
  • Firmaram uma importante parceria com a Azul e TudoAzul.

Parte dessas decisões podem estar relacionadas à estratégias pré pedido de reorganização em suas filiais e parte são ajustes necessários frente ao covid. Nem todas são negativas, mas o fato é que a situação nos deixa muito preocupados.


E agora?

Primeiro de tudo, é importante ter muita calma nessa hora e tomar uma decisão consciente. A empresa está se reorganizando e ajustando seu tamanho frente a crise. Ninguém consegue ter certeza absoluta do que vai acontecer. A empresa pode sair ou não dessa situação. No passado, muitas outras conseguiram (American Airlines, Delta, United), inclusive com a ajuda dos seus programas de fidelidade.

Se você acredita nisso, não há necessidade de fazer algo sem estratégia. Isso pode trazer desvalorização para seus pontos já que, como sempre defendemos por aqui, o melhor uso esta na emissão das passagens!

Por outro lado, caso você NÃO acredite na recuperação da empresa ou não esteja disposto a “pagar para ver” e queira garantir, mesmo que não optimizada, um valor AGORA para seus pontos, a sugestão é que faça seu resgate com inteligência. A seguir vamos mostrar algumas alternativas para uso imediato.


Pelo que resgatar seus pontos, exatamente?

Há algumas opções viáveis nesse momento, como por exemplo:

Passagens aéreas para voar em companhias parceiras

Apesar de ter saído da oneworld depois que a Delta adquiriu parte da empresa, a LATAM ainda mantém relações bilaterais com diversas companhias aéreas. É o caso da própria Delta, Lufthansa e Iberia, por exemplo. Você pode conferir todas as companhias parceiras neste post. Eis alguns exemplos de resgate:

Delta:

Lufthansa:

 

Como vários leitores têm relatado, não é possível encontrar disponibilidade com todas as companhias parceiras. Esse já é um problema que vem acontecendo algum tempo e que dificilmente irá mudar agora. O melhor a se fazer no momento é trabalhar com as opções disponíveis. Lembrando que British não é uma delas.

Teoricamente, ao resgatar em um parceiro e com bilhete na mão, seu risco deixaria de ser LATAM e passaria a ser da empresa aérea que opera o voo. Digo TEORICAMENTE, pois no passado já tivemos um caso que a cia aérea operadora do voo não quis honrar passagens emitidas por um programa parceiro que foi a falência. Não acredito que seja o caso da LATAM.


Transferência para o ALL – Accor Live Limitless

O LATAM Pass também permite a transferência de pontos para o programa de fidelidade da rede de hotéis Accor. 

Recentemente, a taxa de transferência para o programa sofreu um aumento considerável de 90%. Neste post exploramos com detalhe a viabilidade e se vale a pena ou não este resgate.

Ainda com a nova proporção essa pode ser uma alternativa interessante. O seu risco neste resgate deixaria de ser LATAM e passaria a ser da rede Accor.

Esse resgate é passível de ajuste nos valores para mais ou menos, ou como já vimos em outros casos, pode ser retirado do site do LATAM pass sem aviso,


Outros produtos e serviços como crédito de combustível, produtos do catálogo, etc.

A última opção é resgatar produtos ou serviços. Há diversos parceiros no site do LATAM Pass que permitem o resgate para uma infinidade de opções. Por exemplo:

Produtos:

Combustível:

Serviços:

Ainda que nestes resgates não sejam dados o maior valor aos seus pontos o possível, é importante que você saiba como comparar as alternativas oferecidas. Mesmo na situação atual, vale a pena investir um tempinho na busca da melhor opção possível.

Neste post, explico em detalhes o valor que deve ser atribuído a uma milha ou ponto. No geral, para saber exatamente o valor que você está dando ao seus pontos, basta dividir o valor em reais do produto ou serviço pelo valor em pontos. Dessa maneira você tem o custo final em centavos de cada ponto.

Por exemplo, para se obter um crédito de R$ 90,00 em crédito de combustível no Posto Ipiranga, o LATAM Pass cobra 4.500 milhas – o que equivale a dizer que cada milha utilizada vale R$0,020 + a taxa de resgate de R$ 13,50.

Recentemente percebi o aumento nos valores destes resgates. O que é um fator que nos trás preocupação. Os nossos pontos são desvalorizados a cada ajuste.


O que EU vou fazer?

A situação do mercado no Brasil não melhorou. As cias brasileiras ainda não conseguiram recursos do BNDES para enfrentar a crise e o mercado de crédito privado está praticamente fechado para o setor. A RJ ajuda empresa a pressionar o governo e parceiros nesta frente. Em paralelo a tudo isso, nós, clientes e usuários do programa sofremos as consequências deste cenário.

Eu, Ale,  acredito na recuperação da empresa. Depois da crise, imagino que a cia possa se tornar uma empresa menor e mais eficiente e, portanto, neste momento não trocarei meus pontos por produtos ou serviços. Também não estou planejando nenhuma viagem que possa usar os pontos em parceiros.

Como disse no início, ninguém sabe o futuro e minha decisão pode estar errada. Neste caso, caso a empresa não consiga se reorganizar, eu corro risco de perder os pontos ou enfrente uma desvalorização ao decorrer do tempo . Essa situação não pode ser descartada.

A reabertura das fronteiras, a extensão da crise do covid , a agilidade na organização de frota/funcionários e a capacidade da empresa levantar caixa serão fatores decisivos para o futuro da cia e do programa.

Acompanharei a situação muito de perto e caso algo me faça mudar de opinião, voltarei a postar. O importante agora é que, independente da sua decisão, ela seja tomada consciente dos riscos envolvidos e que caso opte por usar os pontos, tente maximizar seus resgates.

E você, o que você pretende fazer?

Esta matéria foi atualizada pela última vez no dia 9/julho às 9h40.

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