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Comparando emissões! São Paulo para Puerto Montt voando LATAM Airlines

Notícias

Por Raimundo Junior

Dando sequência à nossa nova série em que comparamos os custos de uma emissão para a mesma rota e companhia aérea, considerando o resgate em diversos programas de fidelidade, vamos trazer um voo com a LATAM Airlines entre São Paulo e Puerto Montt.

Neste post, vamos mostrar os custos de emissão para voar com a LATAM Airlines até Puerto Montt, que é o aeroporto base para quem vai a Puerto Varas, entrada da Patagônia chilena e ponto de partida para os Andes chilenos, especialmente o magnífico passeio cênico pelos Lagos Andinos. Os programas utilizados foram Iberia Plus, LATAM Pass e Delta SkyMiles.

Muitas vezes, além das milhas em si, há outros fatores que incidem sobre uma emissão, como taxas cobradas pelos próprios programas e companhias aéreas, que têm interferência direta no custo final do resgate. Pensando nisso, criamos essa série com o objetivo de ajudar você a tomar a melhor decisão na hora de escolher o programa de fidelidade ideal para a sua emissão.


São Paulo para Puerto Montt voando LATAM Airlines

Como dito no começo, a fim de comparar um resgate para voar entre São Paulo e Puerto Montt, com conexão em Santiago, com a LATAM Airlines, utilizaremos três programas de fidelidade: LATAM Pass, Delta SkyMiles e Iberia Plus, todos com possibilidade de resgate online. Optamos por mostrar apenas três companhias aéreas, já que, embora continue sendo possível (em tese) resgatar voos LATAM pelo Executive Club da British Airways e Privilege Club da Qatar Airways, esses programas não retornaram resultados para a data mostrada nesta matéria.

Ainda, mostraremos a viagem em Classe Econômica, primeiramente pelo fato de ter melhor disponibilidade, mas também porque são dois voos curtos e diurnos, não sendo tão relevante para pagar o valor muito maior para voar em Classe Executiva. Temos também o fato que o deslocamento entre Santiago e Puerto Montt é feito em avião de corredor único, não equipado com Classe Executiva, assim como parte das aeronaves que faz a rota de São Paulo a Santiago, dependendo do horário do voo.

Programas de fidelidade

  • LATAM Pass (LATAM): como mostramos aqui no Passageiro de Primera, com a implantação do novo sistema de emissão de bilhetes da LATAM, o programa extinguiu os resgates award para voos próprios LATAM, o que encareceu, na maioria dos casos, os resgates de passagens aéreas. Ainda assim, encontramos valores razoáveis para a data pesquisada, o que posicionou o programa na primeira colocação do comparativo;
  • Delta SkyMiles (Delta Airlines): o programa de fidelidade da Delta foi o primeiro parceiro aéreo anunciado pelo Membership Rewards do American Express do Santander, trazendo de volta a possibilidade de remessa para o programa americano, coisa que não tínhamos desde que o Amex-Bradesco trocou as parceiras então vigentes do MR pela Livelo. Embora a conversão seja de 1:1, a dificuldade, por ora, é que os cartões Amex-Santander ainda não foram incluídos nas campanhas Bateu, Ganhou. Com isso, os custos de geração ainda são elevados;
  • Iberia Plus (Iberia): o programa de fidelidade da Iberia é parceiro direto tanto da Esfera quanto da Livelo. O melhor custo de geração vem das campanhas Bateu, Ganhou do Santander, como a que começou no último dia 01/08, o que facilita bastante a geração de pontos no programa. Mesmo com a lamentável desvalorização de 50% na taxa de transferência da Esfera, ainda é possível gerar Avios a um custo razoável, em circunstâncias excepcionais.

Custos de geração das milhas e pontos

O custo relativo das “moedas” envolvidas em cada um destes resgates é de extrema relevância para avaliar os valores finais de cada emissão. Para apurar o CPM [custo para cada mil milhas] em cada um dos programas, vamos levar em consideração as melhores aquisições destes pontos de acordo com as promoções dos últimos meses e com as perspectivas de curto prazo.

LATAM Pass

Para o LATAM Pass, vamos considerar o valor oferecido nas campanhas que o programa faz com certa frequência, com promoção de compra de pontos com desconto, cujo percentual chega a 70%. No caso, o CPM fica na casa de R$ 21.

Delta SkyMiles

Sobre o Delta SkyMiles, vale lembrar que, desde que o Membership Rewards dos AMEX-Bradesco foi transferido para a Livelo, ficamos sem opções para gerar milhas considerando o mercado doméstico. Com a recente inclusão do programa de fidelidade no novo MR dos AMEX-Santander, este cenário mudou – o que é motivo para comemorar!

No entanto, ainda que a paridade de transferência seja de 1:1, não é possível gerar milhas no programa de maneira barata, já que, infelizmente, os cartões do Amex-Santander não entraram na última campanha Bateu, Ganhou!. Além disso, cabe ressaltar que não é possível comprar pontos MR, como acontece hoje com o Esfera.

Diante deste cenário, para calcular o CPM, iremos considerar como referência a taxa média de 2,80% cobrada pelas carteiras digitais nas transações financeiras utilizando cartão de crédito, além da pontuação do The Platinum Card de 2,2 pontos por dólar. Por consequência, teremos um CPM de, aproximadamente, R$ 69, considerado o dólar oficial do fechamento de 16/08 + 6% de spread.

Iberia Plus

O Iberia Plus tem parceria direta com Livelo, com a taxa 2:1, que daria um CPM mínimo de R$ 70 se considerarmos compras de pontos no programa de recompensas com 50% de desconto (R$ 35). Por isso, a opção mais inteligente é tirar proveito das promoções Bateu, Ganhou do Santander, como a que acontece no presente momento.

Levando em consideração esse cenário, a melhor opção está com os cartões Santander Unlimited Visa Infinite ou Mastercard Black, que está dando até 4,5 pontos Esfera por real gasto. Com utilização em carteiras digitais com a taxa média de 2,80% para pagamento de boletos, teríamos um CPM aproximado de R$34 para os pontos Esfera, considerado o dólar oficial do fechamento de 16/08 + 6% de spread. Infelizmente, os Avios chegam no Iberia Plus com o salgado CPM de R$68 em função do deságio (2:1).


Comparação geral

Como esse resgate não apresenta variação em função do sentido da rota, já que não é cobrada a taxa YQ em nenhum momento, vamos nos limitar a mostrar o resgate one-way, apenas no sentido de ida.

LATAM PASS
Pontos: 33.066
Taxas: R$ 155

Vale observar que o novo sistema de precificação do LATAM Pass, para os voos próprios LATAM e os bilhetes comerciais de parceiros, é baseado na conversão em pontos do valor em dinheiro. Embora esse sistema tenha prejudicado boa parte das emissões, nas situações em que encontrar bons valores para tarifa pagante, isso também vai se refletir no resgate com pontos. Na data pesquisada, inclusive, encontramos um valor bastante razoável em pontos para uma viagem até a Patagônia chilena, dado o baixo custo de geração.

Delta SkyMiles
Milhas: 16.000
Taxas: US$ 22 (R$ 113)

Caso haja vaga award em parceiros, esta é a tarifa-base que o SkyMiles cobra para voar entre o Brasil e os países do Cone-Sul da América do Sul, em Classe Econômica.

Iberia Plus
Pontos: 17.000
Taxas: $ 21 (R$ 108)

Apesar de não ser conhecida por uma das melhores rotas para serem resgatadas, o Iberia Plus se mostra uma ótima alternativa para a viagem devido à quantidade relativamente baixa de Avios em relação aos preços cobrados atualmente no mercado. Não fosse pelo grande deságio imposto pelo Santander em 2021, nas transferência da Esfera para o Iberia Plus, o resgate seria excelente.

Merece destacar, ainda, o fato do Iberia Plus estar emitindo bilhete one-way com o LATAM Pass, o que não era possível até recentemente.


Comparação efetiva

Como pontuamos no tópico anterior, esse resgate não varia em função do sentido da rota, pois não há cobrança de YQ, independentemente de partir ou não do Brasil. Por isso, vamos mostrar uma única tabela comparativa, de um trecho avulso (one-way), e, para calcular uma viagem de ida e volta (round-trip), basta duplicar os valores:

Apesar da precificação dinâmica, o LATAM Pass, possivelmente movido pelo bom valor do bilhete pagante para a data, apresentou o melhor custo final, dado o baixo custo de geração de pontos. Todavia, se não fosse pelo deságio na transformação dos pontos Esfera em Avios ou se os cartões Amex do Santander tivessem sido incluídos na campanha Bateu, Ganhou, poderíamos ter resultados bem diferentes. No retrato da situação atual, entretanto, o LATAM Pass teve o melhor desempenho.


Fatores a considerar

Custos referenciais variáveis: tenha em mente que os custos de milhas e pontos que adotamos nos nossos cálculos podem variar de usuário para usuário, inclusive em decorrência da utilização eventual de alguns cartões de crédito. Não levamos em conta os diversos leitores que detêm cartões emitidos no mercado internacional, cujos custos teriam outra avaliação;

Falta de uniformidade sobre a definição do custo de milhas e pontos: para a matéria, levamos em conta os custos das taxas em pagamentos feitos em carteiras digitais, já que, no momento, essas são as modalidades mais em conta para ter acesso às milhas do Membership Rewards dos cartões Amex Santander. Não esqueça, contudo, que há outras formas de considerar esses custos. Muitos consideram “zero” o custo dos pontos gerados no cartão em gastos orgânicos, o que reduz muito o valor médio, a depender do volume de gastos. Particularmente, prefiro ter como referência o custo de geração por meios pagos para o caso de precisar de grande quantidade. Não podemos dizer, entretanto, que uma forma seja mais correta que a outra;

Fique atento ao custo relativo das milhas e a incidência de taxas: como temos mostrado nessa série, nem sempre o menor número de milhas representa o menor custo. No comparativo de hoje, por exemplo, o programa com o maior valor absoluto em pontos foi o que apresentou o melhor custo efetivo. Portanto, leve sempre em conta o valor relativo dessas milhas, além de outros custos incidentes, como taxas de emissão e/ou de combustível;

Outros fatores: além desses fatores, também é prudente levar em consideração se há milhas próximas ao vencimento em algum dos programas em que o resgate é permitido. Adicionalmente, não deixe de avaliar os mecanismos de que você dispõe para repor essas milhas num futuro próximo ou médio. Opte por não utilizar aqueles pontos que já sabe que serão usados em outro resgate.

Momento de instabilidade no mercado nacional de milhas e pontos vs estabilidade (relativa) dos programas internacionais: esse mercado é extremamente volátil e se move ao sabor das oscilações de oferta e procura; nos últimos meses, no entanto, temos notado mudanças e oscilações que ultrapassam os limites da previsibilidade, tanto para acúmulo, quanto uso das milhas e pontos. É verdade que tivemos um período favorável durante a fase mais aguda da pandemia, na qual abundavam as possibilidades de acumular pontos ao tempo em que a demanda estava baixa dadas as restrições de viagem, e, por consequência, era possível realizar resgates fáceis e baratos.


Comentário

Ter uma visão geral do custo relativo das milhas e pontos é fundamental para avaliar os melhores resgates em cada um dos programas. Quando o resgate é possível em mais de um desses programas, essa comparação se mostra ainda mais relevante para que tenhamos sempre os maiores benefícios no uso eficiente desse ativo de valor, que é nosso acervo de milhas e pontos.

E você, costuma comparar os custos do resgate em cada programa que utiliza? Quais os principais fatores que costuma priorizar?


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