fbpx

Emitindo quatro passagens de Volta ao Mundo com milhas Smiles e Miles&Go – Leitor de Primeira

Leitor de Primeira Notícias

Por Equipe | Passageiro de Primeira

No quadro #LeitorDePrimeira de hoje vamos compartilhar a história do Leandro. Aproveitando as dicas do site, ele conseguiu emitir não uma nem duas, mas quatro passagens de Volta ao Mundo com a maioria dos trechos em classe executiva utilizando milhas dos programas Smiles e Miles&Go da TAP. Vale a pena leitura de mais um relato de primeira!


Relato de Primeira

Viajar é preciso! O mundo é muito grande para ficarmos limitados à nossa cidade, estado ou país.

Com base nessa premissa e na vontade de conhecer outras culturas, pessoas, lugares, faço da minha vida uma aventura, conhecendo e tendo experiências incríveis e inspiradoras (e outras nem tanto!!!), desde ser mordido por pinguim (pinguim morde?) no extremo sul africano, até curtir a aurora boreal em Svalbard, mergulhar com uma dezena de arraias jamanta em Pohnpei (Estados Federados da Micronésia), levar uma cabeçada de tubarão (mergulhando em San Andrés, na Colômbia) ou tomar banho com elefantes em um rio em Luang Prabang, Laos.

Com esse espírito, e mais de 80 países no passaporte, partimos para uma empreitada familiar: tirar algumas férias acumuladas e fazer um curso de inglês em algum lugar do mundo. Dentre as opções disponíveis, escolhemos Brisbane/Gold Coast, na Austrália, com a agradável e inseparável companhia dos pequenos, dois meninos com 3 e 5 anos de idade!

Voar do Brasil pra Austrália, com duas crianças (e eu com 2 metros de altura), em classe econômica, não era propriamente meu sonho de infância. Em executiva, muito caro!

Foi nesse contexto que há um ano fiquei sabendo, aqui no site, da possibilidade de uma Volta ao Mundo em executiva, com 350 mil milhas do TAP Miles&Go!

Assim, convenci que seria legal fazermos essa Volta ao Mundo, parando no meio do caminho para estudar algum tempo (Austrália), e prosseguindo a viagem ao final do curso.

Com a promoção de compra de pontos Livelo e bônus na transferência para o programa da TAP, o custo seria muito reduzido!

Como em 2013 eu já havia feito uma Volta ao Mundo com o bilhete da Star Alliance comprado, eu já sabia como funcionava e passei a viabilizar nossa viagem.

Fiz o cadastro meu e da minha esposa no programa da TAP e passei a monitorar as promoções da Livelo. A cada nova promoção, comprava o limite de pontos com 40% de desconto e os transferia para a TAP. Também me inscrevi no Club TAP Miles&Go e transferi pontos que tinha no cartão de crédito. Ao fim, acabei acumulando os pontos necessários para nossa aventura!

Paralelamente, comecei a pesquisar os vôos. Essa foi a parte mais trabalhosa, um desafio gigantesco viabilizar uma viagem dessas que, a um só tempo, pudesse atender a uma série de requisitos:

  1. Vôos diretos;
  2. 4 vagas em executiva saver (única compatível com as milhas da TAP);
  3. Datas e horários convenientes.

Usando as ferramentas aprendidas aqui, em especial a busca no site da United, foram meses simulando mil possibilidades diferentes. A principal dificuldade foi achar 4 lugares em vôos diretos. No fim, o que definiu nossos destinos foi mais a disponibilidade dos vôos que a nossa vontade.

O destino era a Austrália. Como chegar lá ou voltar para o Brasil era algo aberto, que comportava múltiplas opções.

E justamente incluir Austrália na nossa Volta ao Mundo foi um fator complicador importante. Ocorre que simplesmente não encontramos voos chegando ou saindo de lá em executiva. Invariavelmente os voos para lá eram apenas em classe econômica, passando em geral por Bangkok e saindo em direção a São Francisco ou Vancouver, em voos com 13 ou 14 horas de duração, via Sydney, o que inviabilizava fazer em econômica. Além disso, era nossa vontade passar por Honolulu e, se possível, Coréia do Sul e Japão, que eu já conhecia mas meus filhos não.

Foram meses planejando tudo até que consegui fechar. Aprovados 4 meses de férias, mais o recesso de fim de ano, liguei para o call center da TAP.

Preparado? Agora começa a saga para emissão.

O Call Center da TAP

O atendente, solícito como todos, prontamente deu início às reservas, confirmando quase todos os voos até chegar na Coréia do Sul.

A partir daí, todos os voos operados pela United, começaram a dar os primeiros problemas: simplesmente nenhum voo da United tinha disponibilidade em executiva. Pior, a imensa maior deles sequer tinha em econômica! Por exemplo, o trecho São Francisco x Brasil só tinha em econômica e poucos dias no mês. Tentei Los Angeles, Houston, Chicago, Nova Iorque. Nada. Só havia vôo de Washington e só um dia na semana, uma quarta-feira.

Passamos a verificar o trecho interno para chegar lá. No site da United havia disponibilidade em vários horários, todos os dias, saindo de SFO, LAX, LAS. Com o atendente da TAP, só um voo por semana, também às quartas. Porém, o único voo com tempo suficiente para a conexão saía de Los Angeles, com pouco mais de uma hora de tempo entre um voo e outro e, claro, só em econômica.

Ocorre que, após mais de uma hora, a ligação caiu!!!!

Religuei imediatamente e, mesmo falando com o mesmo atendente, não era possível retomar o que já tinha sido feito e tive que refazer toda a reserva, mas agora já sabia quais voos teria disponibilidade e foi mais rápido.

Mas ainda sim tive outro problema no trecho final até Curitiba, minha cidade.

No site da United aparecem companhias deles parceiras que não fazem parte da Star Alliance, como a Azul. Assim, os trechos com elas não podiam ser usados e tive também que refazer esses.

Com a saída da Avianca, não é mais possível começar ou terminar essa Volta ao Mundo em Curitiba, pois nenhuma parceira da Star voa para a capital paranaense.

Mas…

Quase uma hora depois, o atendente me informou que não poderia emitir pois havia mais voos que o limite para essa Volta ao Mundo!

Como? Sim, você só pode parar 6 vezes!

Quase caí da cadeira. Tantos meses planejando…

Aí que me dei conta de que planejei tudo considerando o bilhete comprado na Star Alliance. Por erro meu, interpretei que a regra da TAP que autoriza 10 seguimentos e 6 stopover era a mesma do bilhete comprado, que autoriza parar em 16 lugares! Na verdade, vocês só pode parar em 6 lugares e, para ir de um para o outro, dando a volta toda, pode usar até 10 trechos.

Então, se você vai de Guarulhos pra Pequim, parando em Frankfurt por 2 horas para conexão, já se foram 2 trechos. Você só pode ficar mais de 24 horas em 6 cidades ao redor do mundo, o que torna esse bilhete bem menos interessante que o vendido pela Star Alliance (que custa uns US$ 10.000,00 em executiva, a depender do caso).

Esclarecido, não me restou outra coisa senão desligar e retomar meu planejamento, já sabendo que muita coisa iria mudar.

Sem desistir jamais, selecionei as cidades mais interessantes e me pus a simular tudo novamente.

Para manter a viagem o mais próximo possível do inicialmente planejado, tive que partir para novas opções, comprando alguns trechos e pesquisando outros com milhas Smiles e pontos Multiplus (agora LATAM Pass).

Como eu tinha muitas milhas Smiles próximas do vencimento, em face do famigerado prazo de 6 meses para as milhas bônus, optei por reestruturar toda a viagem e a transformei em uma Volta ao Mundo e meia, dividindo a viagem em duas.

Cansou? Calma, fazer uma viagem dessas, mantendo a qualidade e economizando muito exige paciência, pesquisas, capacidade de adaptação e criatividade. A paciência estava perto do fim mas busquei energia lá no fundo e prossegui.

Assim, usei milhas que estavam vencendo na Smiles para os 2 primeiros trechos, ambos em executiva:

  • São Paulo (GRU) / Toronto (YYZ)
  • Toronto (YYZ) / Frankfurt (FRA)

Na terceira ligação para o call center da TAP finalmente consegui finalizar a reserva, após mais de uma hora ao telefone. Nossa Volta ao Mundo propriamente dita começará em Frankfurt, com milhas TAP, terminando em Munique. Ficou assim:

  • Frankfurt (FRA) / Pequim (PEK)
  • Pequim (PEK) / Manila (MNL)
  • Seul (ICN) / Honolulu (HNL)
  • Honolulu (HNL) / San Francisco (SFO)
  • Los Angeles (LAX) / Washington (IAD) / São Paulo (GRU)
  • Belo Horizonte (CNF) / Lisboa (LIS) / Dublin (DUB)
  • Londres (LON) / Munique (MUC)

Como disse, inviável chegar na Austrália com essa passagem usando milhas TAP em executiva. Assim, optei por comprar os trechos entre Manila/Singapura/Brisbane (MNL/SIN/BNE).

Em Brisbane passaremos 3 meses e visitaremos a Nova Zelândia e outras ilhas por perto, além de viagens internas. De lá, voltaremos via Coréia do Sul, cuja passagem comprei em executiva com Smiles.

De Seul, como citei, retomamos o bilhete de Volta ao Mundo e voaremos para Honolulu e São Francisco, ambas com United em econômica. De carro, vamos até Los Angeles e pegaremos um voo interno, em econômica, até Washington e, em executiva, para o Brasil.

Aí encerramos nossa primeira parte da volta ao mundo, depois de 140 dias de viagem!

Como o bilhete foi iniciado na Alemanha, fim de junho de 2020 ainda faremos outros 2 trechos da Volta ao Mundo.

Para tanto, só consegui vôo saindo de Belo Horizonte para Lisboa. São Paulo e Rio de Janeiro não tinha qualquer disponibilidade. De lá, conexão para Dublin.

O último trecho da passagem de volta ao mundo será Londres/Munique, onde termina o bilhete emitido com a TAP.

Os trechos Dublin/Reykjavik/Londres serão ainda comprados, assim como o retorno da Alemanha para o Brasil.

Taxas de embarque

Um último comentário gostaria de fazer acerca das taxas de embarque cobradas pela TAP no bilhete de volta ao mundo.

Algumas horas após finalizada a reserva pelo telefone, recebi um e-mail pedindo para retornar o contato para pagamento das taxas de embarque.

Qual não foi a minha surpresa ao me passarem o valor: nada menos que 982,67 euros (incluídos 40 de taxa de emissão), por pessoa!!!! Honestamente, achei escandaloso.

Pedi que me discriminassem os valores trecho a trecho. Disseram que não tinham essa resposta mas abriram um chamado para que a área responsável fizesse isso e me retornariam.

Passado o prazo, nada. Fiz novo contato alguns dias depois, quando me disseram que não tinham como me passar essa informação. Me sentindo violado em meus direitos como consumidor e diante da possibilidade de colocar tudo a perder, optei, muito contrariado, por pagar. Continuo achando um abuso cobrarem um valor desses (o mesmo valor para os 4 passageiros (ou seja, quase 4 mil euros) sem ao menos discriminar o que foi cobrado por trecho, possibilitando, se fosse o caso, troca de voos, cias aéreas ou destinos.

Resumo de toda viagem

(Cia aérea, tempo de voo, classe, valor em reais ou milhas, taxas)

  1. Brasil/Canadá (via Nova York) – Delta, 9h50 + 2h, exec, 110.000 Smiles + R$ 260,00
  2. Canadá/Alemanha – Air Canada, 7h30, exec, 84.000 Smiles + R$ 150,00
  3. Alemanha/China – Air China, 9h, exec, RTW TAP
  4. China/Filipinas – Air China, 5h, exec, RTW TAP
  5. Filipinas/Cingapura – Jetstar, 3h40, econ, R$ 400,00
  6. Cingapura/Austrália – Qantas, 7h30, econ, R$ 1.200,00
  7. Austrália/Nova Zelândia – Virgin Australia, 3h30, econ, R$ 1.700,00
  8. Nova Zelândia/Austrália – Air China, 3h30, econ, R$ 1.200,00
  9. Austrália/Coréia do Sul – Korean Air, 9h50, exec, 90.500 Smiles + R$ 260,00
  10. Coréia do Sul/Estados Unidos (Honolulu) – Asiana, 8h00, econ, RTW TAP
  11. Honolulu/Sao Francisco – United, 5h00, econ, RTW TAP
  12. Estados Unidos (Los Angeles/Washington)/Brasil – United, 4h30 + 9h50, exec, RTW TAP
  13. Brasil/Portugal/Irlanda – TAP, 9h00 + 3h00, exec, RTW TAP
  14. Irlanda/Islândia – pendente de emissão
  15. Islândia/Inglaterra – pendente de emissão
  16. Inglaterra/Alemanha – Lufthansa, 2h00, exec, RTW TAP
  17. Alemanha/Brasil – pendente de emissão

Custos por passageiro

Como as milhas utilizadas em cada emissão tiveram diversas origens, como clube, cartão de crédito e Livelo com bônus variados etc, não há como saber exatamente o custo total. Vou usar como parâmetro o custo de R$ 4.200,00 para cada cem mil milhas Livelo e o bônus de 100% de transferência tanto para Smiles quanto para TAP:

  • 350.000 milhas TAP = R$ 7.350,00
  • 284.500 milhas Smiles = R$ 5.950,00
  • Taxas de embarque das passagens com milhas = R$ 5.200,00
  • Passagens compradas (inclui respectivas taxas) = R$ 4.500,00
  • Total = R$ 23.000,00

(considerando só a Volta ao Mundo, seriam R$ 7.350,00 das milhas + R$ 4.550,00 de taxas = R$ 11.900,00)

Conclusão

O bilhete de Volta ao Mundo da TAP com milhas é uma boa opção para quem consegue gerar milhas a baixo custo mas exige muita dedicação para montar um roteiro que seja viável e interessante. Se for para um ou dois passageiros, tudo fica muito mais fácil. Mesmo assim, planejamento é fundamental, assim como estar pronto para mudanças de planos que quase certamente serão necessárias antes da emissão ser confirmada.

Ufa! Sei que o texto ficou longo e cansativo. Imagine organizar isso tudo (ainda vistos, hotéis, carros, passeios, bagagem, escolas, creches etc etc etc). Após quase um ano de dedicação, finalmente conseguimos finalizar nossos planos e dia 15/11/2019 partiremos para a maior aventura de nossas vidas.

Leandro


Comentário

Que bela emissão Leandro! Se viabilizar uma viagem de Volta ao Mundo para um passageiro já não é tarefa fácil, imagine para quatro! NINJA!

Queremos destacar uma frase do seu relato: fazer uma viagem dessas, mantendo a qualidade e economizando muito exige paciência, pesquisas, capacidade de adaptação e criatividade.”

O processo é trabalhoso e demanda tempo, mas com flexibilidade e mente aberta a viagem acontece. Não temos dúvidas que a experiência que você vai ter vai compensar isso tudo!

Muito obrigado por compartilhar seu relato e aproveite muito essa super viagem em família!


☞ confira relatos já publicados:

Se você quer ter sua história aqui, siga as instruções deste post.

Newsletter

O maior portal de Programas de Fidelidade do Brasil.
Tudo sobre milhas e pontos, avaliação de voos, salas vip, hotéis, cartão de crédito e promoções.